quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Capítulo 2 - Uma blitz, uma dominatrix!

Toby corria muito em seu Merces-Benz Classe CLS Coupé, fazia uma média de 120 km, quando avistou um bloqueio feito por policiais rodoviários logo à frente.

- Droga – Disse incrédulo.

- Por gentileza senhor, mãos ao volante e apresentação de documentos do veiculo e habilitação – disse o policial em tom educado, porém aparentando ser muito novo para a função.

Se havia algo que incomodava Toby era o fato de ser demandado por algo, ainda mais por pessoas extremamente mais jovens que ele.

- Desculpe senhor Policial, mas como posso colocar as mãos ao volante e ao mesmo tempo pegar os documentos? Isso me parece meio contraditório não?

O Policial fez cara de poucos amigos e também um pouco sem graça e proferiu:

- Senhor, apresente os documentos por favor.

Toby não aceitava o fato de aquilo estar ocorrendo.
- Senhor....Richard – Disse Toby olhando o crachá do policial – Dê uma olhada neste carro, é um belo carro não?

- Sim senhor, é um belo carro - concordou
- Se você comprasse um carro deste porte e tivesse uma jovem de 24 anos lhe esperando do outro lado da cidade numa mesa de um restaurante caríssimo e um pouco entediada lhe mandando whatsapp a cada 5 minutos, o que você faria.

- Eu voaria com o carro – respondeu

- Bingo! – Disse Toby, acreditando que o jovem Richard havia caído na conversa fiada dele.

- Mas eu não tenho um carro desse e adivinha, eu sou um policial, do tipo que adora multar caras que correm com o seu Mercedes pois precisam chegar ao outro lado da cidade para jantar com uma gostosa.

- Olha, acho que começamos com pé esquerdo Richard, porque não começamos novamente? – Disse Toby pegando sua carteira no bolso do paletó Armani recém comprado na cor cinza.

- Por acaso está tentando me subornar ?

- Não, só estou dizendo que não vai querer ver o que tem junto aos meus documentos no porta-luvas deste carro.

- O Que tem nele?

- Uma arma.

- Como?

- Isso mesmo, eu tenho uma arma com minhas impressões digitais.

- Senhor chega de brincadeiras, abra as portas e o porta malas e saia do carro AGORA – disse o oficial Richard em tom alto e áspero.

- Desculpe, mas isso não vai rolar pois tenho um corpo no porta malas e o sangue já deve ter necrosado, sabe como é, minha esposa não era muito amistosa quando eu saia com garotas de programas.

O Oficial Richard havia ficado pálido e correu para o carro de policia do outro lado da via o qual estava seu Chefe e naquele momento o coordenador da operação que bloqueava a estrada.

- Senhor, há um maníaco ali naquele Mercedes e ele se recusa a descer do carro e a mostrar os documentos. – Disse Richard enquanto corria em direção ao carro do chefe de policia.

- Eu não acredito, será que eu devo resolver tudo por aqui? – Disse o Chefe Wigown  abrindo a porta do carro e deixando a rosquinha que comia em cima do painel do carro.

Após contar sobre a arma e também sobre a velocidade que Toby dirigia sobreo corpo no porta malas e a arma no porta luvas, Richard e o Chefe Wigown partiram em direção ao carro de Toby, que continuava imóvel.

- Senhor, tem sido uma noite difícil, e meu menino aqui disse que há uma arma em seu porta luvas, porque não tira ela e venha conosco à delegacia?

- Bem senhor Policial, eu adoraria ir até a delegacia com você, de verdade, mas tenho uma tremenda gata me esperando do outro lado da cidade, ademais, eu não tenho motivo nenhum para ir até a delegacia com você.

- Poderia abrir o porta luvas?

- Sim, como não, se não se importar de ver alguns preservativos de hortelã.

O Chefe de policia deu a volta no carro e foi até a janela do carona para que pudesse ver o que havia dentro do porta luvas do carro.

- Não há nada no porta luvas Richard, apenas os documentos e alguns preservativos de hortelã.

- Mas ele me disse que... – Antes que Richard pudesse concluir a frase o chefe Wigown interrompeu.

- Senhor, abra o porta malas.
- Com todo o prazer.

O porta malas era automático, e Toby não titubeou em abrir. O Chefe Wigown saiu da janela e dirigiu-se ao porta malas, apontando a lanterna para dentro, com o intuito de verificar a existência de “algum corpo estranho”, porém não achou nada, apenas um saco de golfe com alguns tacos número 5 e 7.

- Não há nenhum corpo aqui no porta malas Richard, que diabos você andou fumando?

- Você disse corpo?Eu ouvi corpo? Estão me chamando de assassino? – Disse Toby, fazendo o teatrinho básico.

O Chefe Wigown olhou furioso para Richard.

- Bom primeiro vocês disseram que eu tinha uma arma no meu porta luvas, o que não aconteceu, agora vocês me acusam de ter um corpo no meu porta malas? Em que mundo vocês vivem? Só faltam me dizer que eu estava correndo em alta velocidade nesta estrada escura e perigosa. Eu não acredito no que está acontecendo, vou processar vocês e o Estado, ao menos que me deixem ir agora.

O Chefe Wigown, ainda furioso com seu assistente não viu outra alternativa senão:

- Nos desculpe pelo transtorno senhor, estamos apenas fazendo o nosso serviço, espero que nos entenda, pode seguir, tenha uma boa noite.

- Acho melhor você trocar de assistente senhor Policial, este pessoa da geração Y não sabe o que quer.




Iends estava parado no ponto de Taxi em que trabalhava, lendo jornal e tomando um delicioso café com creme duplo.

- Bom dia! – disse a jovem moça ao entrar em seu taxi e sentando-se no banco de trás. A moça aparentava ter seus 22 anos, loirinha de cabelos curtos e vestia um short jeans curto típico daqueles usados por top models no verão.

- Bom dia! – respondeu Iends olhando no retrovisor – Para onde vamos?

- Hotel Sheraton – respondeu a jovem que começava a tirar sua blusinha e colocar dentro da mala
Iends observavam que a moça não só colocou a blusinha dentro da mala, como também começou a tirar os sapatos – Tudo bem – pensou ele.

- Pode se livrar disso pra mim? – disse a jovem entregando seu par de sapatos.

- ahaan claro –disse Iends sem entender

- E isso também – disse ela jogando as meias no rosto de Iends.

“Bom, pelo menos ela não tem chulé” – pensou Iends.

Quando Iends se deu conta a garota estava apenas de calcinha e sutien no banco de traz do carro – 

Obrigado Deus – disse Iends em tom baixo.

A garota começou a se vestir novamente, porém agora com uma roupa mais formal, com um sobretudo vermelho que ia até os pés e uma sandália de couro. Iends se conteve e não fez qualquer tipo de comentário.

Após alguns minutos, Iends encostava seu carro na área de desembarque do Hotel.

- Muito obrigada, aqui está o seu adiantamento.

- São U$ 200,00 – Disse Iends segurando o dinheiro entregue.

- Sim, demorarei cerca de duas horas, quero que me espere aqui quando eu voltar.

- Seu desejo é uma ordem.

- Eu sei! – respondeu ela dando um sorrisinho de canto de boca.

Quando ia descendo, Iends não se conteve:

- Desculpe me intrometer mas...você não vai vestir nada por baixo deste sobretudo?

- Não há necessidade, acredite.









- Está atrasado, como sempre, Toby.

- Sim, eu sei, mas tenho uma boa explicação – disse Toby sentando-se na mesa redonda do restaurante francês localizado no centro da cidade, cujo o chefe era um dos mais renomados do país.

- Pode começar sua desculpas agora ou é melhor eu pedir um vinho?

- Podemos pular pra parte que nós saímos daqui e vamos para minha casa?

- Você continua o mesmo – disse a moça morena de olhos verdes que usava um vestido preto e um colar de perolas negras caríssimos, seu nome era Samantha.

- Bem, você sabe,  em time que se ganha não se mexe.

- E o que você tem ganhado Toby? Algum marido endiabrado na sua casa armado no domingo a noite? Já sei, um filho desconhecido de uma relação não muito duradoura de sua parte que aconteceu em Paris alguns anos a tarde.

- Sabe que isso não é verdade, bom pelo menos a parte do filho em Paris.

A moça sorriu e emendou – Você continua o mesmo idiota Toby, isso é o que me faz sempre te procurar.

- Bom, garanto que devem haver outros cem idiotas querendo sair com você.

- Como você disse, são todos idiotas, não um idiota charmoso.

- Acho que isso me faz ganhar algum bônus na nossa noite, não?

- Que tipo de bônus?

- Tenho o direito de escolher terminar a noite na minha casa.

- Isso não vai acontecer Toby, as coisas estão diferentes agora.

- Como?

Samantha pegou suas duas mão e sobrepôs nas mãos de Toby, olhou nos olhos dele e soltou as palavras que todo homem teme receber de um possível affair, o que poderia estragar a sua noite de diversão inteira.

- Estou grávida Toby.

Toby parou alguns minutos, olhou para o ventre de Samantha e proferiu seu espirito de porco.

- Bom, parece pior nos filmes eróticos.

- Você nunca se coloca numa posição séria Toby?

- Isso não é um motivo para ficar sério, isso é maravilhos...espera...este bebê...por acaso?

- Não Toby, ele não é seu.

Toby nunca sentiu um alivio tão grande, mas não podia deixar de saber quem era o azarado ou sortudo, pois 

Samantha era uma linda mulher e muito sociável.
- E quem...
- Senhor Anderson Pauklens.
- Que espécie de nome é esse Russo?
-Descendente.
- Bravo?
- Muito.
- Sabe que está aqui?
- Não
- Porque está aqui?
- Preciso desabafar.

Era um contrario senso uma moça daquelas procurar Toby para desabafar algo que ele realmente não tinha expertise nenhuma para opinar ou ajudar a velha “amiga”.

- Comigo?

- Sim

- Acho que vou precisar de mais vinho – disse Toby olhando para os lados buscando o garçon.

- Toby, você é o único que eu sei que não diria as coisas apenas para me proteger ou me fazer sentir bem, 
pois você é...VOCÊ.

- Bom, se eu sou eu pra você, então saberia que ao menos que eu não quisesse levar você pra cama, eu não viria para este jantar.

- Eu sei disso Toby, por isso estou aqui.







Após duas horas, Iends estava no local combinado aguardando a jovem moça retornar. Após uns 5 minutos ele avistou na direção de seu carro, mas algo parecia errado.
Ao abrir a porta traseira e entrar no veiculo, Iends constatou que a moça estava chorando e que sua maquiagem estava borrada e continha alguns arranhões no pescoço e que apesar de serem quase 2:00am ela continuava a usar óculos escuros.
- O que houve? – disse Iends voltando seu tronco para a parte de tras do taxi.
- Por favor, apenas me tire daqui – disse a moça chorando.
- Não, quem fez isso com você? Seu marido?
Ela então deixou de olhar para a janela e encarou Iends de forma séria.
- Não, eu não tenho Marido, apenas dirija.
- Então quem fez isso? Algum marmanjão da sua idade? Pois eu vou lá acabar com a raça dele agora mesmo e...
- Não...isso é meu trabalho.
- Como?
- Sim
-Mas..
- Apenas me tire daqui.







Após não muito esforço por parte de Toby, ambos se encontravam dentro de seu Mercedes indo em direção à casa de Toby.
- É muito estranho não acha?
- Sim, esta avenida sempre tem muitas garotas de programas.
- Não é isso, eu digo, mesmo após tanto tempo, eu gravida, lhe encontrar e agora estamos indo para sua casa.
- O que dizer, a boa filha a casa torna.
- Ele é louco Toby. Somos noivos, mas não me sinto a vontade como me sinto com você, isso me intriga.
- Só para constar, não é muito bom trocar um louco por outro.
- Mas você é um louco bom.
- Não foi o que disseram as ultimas três garotas que com quem me envolvi.
- Este é seu problema, você não se importa.
- É claro que me importo, digo, você não esta bem e eu vou ajudar você – disse ele sarcasticamente.
Samantha apenas olhou para o vidro da frente seguindo os olhos pela estrada.
- Não se preocupe, eu só quero me sentir desejada de novo Toby, depois prometo que sumirei da sua vida pra sempre.
- Bom não é muito difícil você ser desejada, pelo menos deste lado da cidade.
- Você não entende, meu noivo começou a confundir as coisas.
- Ele é gay?
- Não, antes fosse, ele apenas descobriu o outro lado de um relacionamento, e tudo isso por minha culpa.
- O que quer dizer?
- Eu resolvi apimentar a relação, você sabe, estávamos desgastados, tentamos varias coisas, mas uma coisa em especial mexeu com ele.
- E o que era?
- A dor.
- Bom, isso não é todo ruim, você também curte dor comigo, se é que me entende.
- Sim, mas o problema é o seu noivo começar a dar mais valor para a dor do que o amor entende? Não sei como isso vai ser daqui pra frente agora que temos um filho.
- Não acho que ele deixaria seu filho entrar na brincadeira uma vez que ele não aguentaria a pressão não?
- Haha você não tem jeito, mas você entendeu o que eu quis dizer.






Iends não podia deixar aquela moça ir sozinha para casa naquele estado de espirito que como todo bom homem faria naquela situação, levou-a para seu apartamento.
- Sente-se, vou pegar o kit primeiro socorros.
- Obrigada, também aceito algo para beber, algo forte de preferencia.
- Sim, temos whisky , quero dizer, Toby tem Whisky em algum lugar.
Iends retornou com alguns minutos depois com um copo de whisky com gelo e o kit de primeiros socorros.
- Eu não perguntei seu nome.
- Trix, pode me chamar de Trix.
- Muito prazer Trix, não vai perguntar o meu?
- Não, não será necessário.
O que tem de linda tem de rude, uma pena – pensou Iends.
- Bem isso vai arder um pouco – disse Iends limpando os arranhões de Trix.
- Eu estou acostumada com a dor.
- Está?
- Sim, posso lhe ensinar se quiser.
- Como? Vai me dar um treinamento do tipo Kill Bill?
- Não, vou fazer melhor, vou fazer isso – e Trix deu um tapa no lado direito de Iends.
Iends ainda ajoelhado e  com lenços na mão ficou olhando para a cara de Trix.
- Me ensine o que é dor Trix.








Já estacionados na garagem do prédio de Toby, o clima havia esquentado e Toby não conseguia contar suas mãos sobre as curvas daquela morena espetacular.

- Espere aí...

- Sim – disse Samantha esbaforida e sem entender porque Toby havia parado de repente.

- Bom, se o seu noivo tem aceitado o masoquismo como meio alternativo para salvar o seu casamento...será que ele aceitaria um ménage?

- Toby por favor – disse Samantha sorrindo enquanto ele beijava seu pescoço.

- Venha, vamos acabar logo com isso – desceram do carro, pegaram o elevador num clima mais ardente do que o sol do deserto até chegarem no andar do apartamento.

- Tem alguém em casa? – perguntou Samantha incrédula.

- Não, Iends está trabalhando e Nick está fora da cidade para um evento Nerd fora da cidade.

Ao abrir a porta Toby notou que estavam todas as luzes apagadas, achou estranho, já que sempre deixava a luz a abajour acesa.

Para sua surpresa ligou a luz geral e o clarão se fez de uma forma que o olhos doíam. Após, retomar a visão normal, Toby e Samantha viram Iens amarrado na mesa de jantar da sala com algumas velas apagadas em torno de seu corpo. Ele estava semi-nu e com uma mordaça na boca.

- Mas  que diabos é Iends? Não deveria estar trabalhando?
- uuuuuhnnnnn uhnnnnnnnnnnnn uhunnnnnnnnnnnn – respondeu Iends.

Uma voz feminina ecoou vindo da cozinha.

- Achei o isqueiro, agora você vai ver o que é dor seu danadinho – Trix apareceu na sala segurando um isqueiro e algo que se parecia com um chicote improvisado.

Samantha não sabia o que fazer, se devia ir embora ou permanecer alí, achava aquilo tudo muito engraçado, já que o corpo de Iends era ridiculamente magro e branco.

Trix tirou a mordaça da boca de Iends que olhava para Toby que olhava para as curvas de Trix que olhava para Samantha, que olhava para Toby com raiva.

- Não é o que está pensando Toby – Tentou Iends.

- Ah, não? E o que é então Iends?

- OK, é o que você está pensando.

Após aqueles segundos em silencio, a campainha do apartamento toca desesperadamente por três vezes seguidas.

- Está esperando mais alguém para sua festinha senhor Sado? – disse Toby em direção à Iends.

- Não que eu saiba.

Toby voltou-se para a porta e olhou no olho mágico e abriu a porta. Um homem relativamente alto e forte entrou no apartamento sem nem mesmo ser convidado. Ficando no meu da sala ele disse com um sotaque extremamente Russo:

- Onde está ele? Cadê aquele desgrrrrrrrrrraçado?

- Anderson? – Disse Samantha

- Samantha? – Disse Toby

- Anderson? – Disse Samantha

- Trix? – Disse Anderson

- Anderson? – Disse Trix

Todos olharam para Iends que permanecia amarrado a mesa.

-...Trix? – Sem saber o que falar.

- Alguém poderia me explicar o que está acontecendo aqui? Não que eu não esteja gostando.

- Anderson é meu noivo – Disse Samantha.

- Anderson é meu cliente – Disse Trix

- Trix é bem gata e bem...estou saindo com Samantha – disse Toby

Todos olharam para Iends que estava inerte e para não ficar pra trás:

- Trix é minha...passageira.

Anderson não se conteve e tentou partir pra cima de Toby, mas foi contido por ambas as moças.

- Iends, é uma boa hora para você levantar seu traseiro e me ajudar aqui.

- Bom, eu não posso porque a garota que pode me desamarrar está segurando o cara que quer te bater, 
por conta provavelmente de mais um problema que você se meteu por conta da um rabo de saia.

- Como chegou até aqui? Perguntou Samantha a Anderson

- Eu coloquei um detetive atrás de você, sabia que havia algo de errado

- E como chegou aqui tão rápido? Continuou a noiva desesperada.

- Porque ele estava num hotel comigo – disse Trix

- Como? Disse Iends

- Como ? – Disse Samantha

- Como? Disse Toby

- O homem que me agrediu, foi ele – disse Trix olhando para Iends – Na verdade Anderson já é cliente por um tempo, costuma frequentar a casa que trabalho.

- Casa?

- Sim, trabalho numa casa de sadomasoquismo perto do centro.

- Oh Deus – como você conseguiu Iends? – Disse Toby

- É uma longa história.

- Bom, acho que já temos o suficiente por hoje e se me derem licença eu preciso dormir, pois trabalho 
amanhã e os senhores deveriam fazer o mesmo – disse Toby tentando esquivar-se da pressão.

- Eu vou fazer você dormir eternamente seu monte de merd... – Disse Anderson partindo novamente pra cima de Toby, que se escondia no outro lado do sofá.

- Ok – Disse Toby – Tenho uma sugestão – em tom apaziguador.

Todos pararam por alguns instantes quando Toby continuou:

- Alguém curte Menage?

- Hora seu... – Disse Anderson sem se conter e partindo com toda a sua fúria pra cima de Toby.

- Pare aí – Ecoou a voz de Trix por cima do ombro de Anderson – Caso você continue com isso chamarei 
a policia e direi o que fez comigo hoje a noite.

Anderson se conteve e baixou os punhos – Desta vez você escapou tampinha, mas se aparecer na minha frente de novo, juro que vai querer nunca ter nascido com um saco entre as pernas.

Anderson deixou o apartamento, seguido de Samantha.

- Tem certeza? – disse Toby a Samantha.

- É o certo Toby , ele ainda não sabe.

Ambos olharam-se por dois segundos e Samantha deixou o apartamento.

- E lá se vai mais uma memorável – pensou Toby

- Que noite, não? Interrogou Trix.

- Me diga Trix, onde fica o seu trabalho mesmo? – disse Toby pegando nas mão de Trix e saindo com ela em direção à porta e apagando a luz.












- Pessoal? Hey, pessoal? Vão me deixar aqui? Isso não é justo, porque sempre comigo? – Disse Iends ainda amarrado.













quarta-feira, 9 de julho de 2014

Capítulo 1 - "A Pensão" - Trollando Macheza


- E isso é um jogo de Futebol - Disse Toby à Nick, seu inquilino mais novo.

- Cara, isso é realmente uma droga, sempre que eu aposto eu perco, é um espécie de maldição - Desabafou Nick.

- Bem, foi um prazer fazer negócio com você "kid" - Disse Toby à Nick tomando o dinheiro de suas mãos em tom de sarcasmo.

- Vocês poderiam crescer e começar a viver como "adultos" - Reclamou Iends vindo da cozinha com uma travessa de pipocas nas mãos e sentando ao lado dos outros dois.

- É o que estamos fazendo Iends, sendo homens de verdade, apostando dinheiro, assistindo futebol e reclamando da vida, não há algo mais adulto e macho que isso!

Toby é um playboy nato, 28 anos, sua vida é regada a drinks exóticos, noitadas alucinantes, mulheres....mulheres e mais mulheres, o tipo de pessoa que é amado por uns e odiado por invejosos que não entendem seu estilo de vida. Tem uma fortuna herdada de seu falecido pai que também era advogado, assim como Toby.

Nick é o mais Jovem entre os três,  22 anos, estudante de Ciências da Computação, não tem dinheiro para nada, não tem perspectiva de vida e sonha um dia poder ser um jogador de video games profissional. Um pouco áspero pra sua idade, o que o torna único e muitas vezes extremamente grosso e burro.

Iends é o rapaz correto, 35 anos, motorista de taxi,  de conduta ilibada, do tipo que toda turma tem, é o tipo de cara que estraga a sua noite dizendo para você não beber mais, que você não deveria fazer isso ou aquilo, um mal necessário é verdade. É o mais velho, porém, o mais fracassado dos três, foi casado e tem um filho, porém divorciou-se dois anos depois, sua esposa amada, virou seu pior karma, se é que se pode chamar ex esposa de karma.

Os três dividem o mesmo apartamento há algum tempo no centro da cidade. Se conheceram através de anúncio de internet, do tipo: "Procura-se roommates", divulgado por Iends e atendido prontamente por Nick que trouxe Toby na sequência, como uma venda casada de produtos no mercado, do tipo leve 1 ganhe outro.

O Apartamento não é muito grande, mas bem localizado e aconchegante, do tipo decorado por um senhor de 35 anos de idade, no caso Iends e frequentemente questionado por Toby, que implora para a mudança da decoração todas as vezes que traz alguma garota para dormir em casa.


Ao se sentar no sofá Iends sacou um bloco de notas do bolso de sua camisa social de mangas compridas e começou a fazer anotações.

- Deixe-me pensar, bloco de notas, cara fechada mais do que o de costume, mãos tremulas é DIA DE PAGAR A PENSÃO, acertei? – Indagou Toby.

- Yes, do português clássico “é o dia de cortar meus próprios pulsos e mostrar ao mundo o quanto sou ingrato por casar com uma megera” – Respondeu sarcasticamente Iends.

- O que há de errado com este saca-rolhas? Toda vez que você vai assinar o cheque da pensão você o está segurando.

 - É uma longa história e simboliza algo especial pra mim.

- Entendo.

-Não que saber o que significa?

- Não, eu estou bem – respondeu prontamente Toby

- Bem, eu não me importo em explicar - insistiu Iends - Eu comprei este saca-rolhas para Michele (ex esposa) quando estávamos no colégio...

- Por Deus, todos estes anos e eu gastando dinheiro com lingeries e joias para minhas pretendentes – interrompeu Toby

- Bem, algumas garotas não ligam pra estas coisas.

- Claro, se ela quiser andar como uma garota morta e sem perspectiva.

- Não vou discutir com você Toby.

- Ei, acabo de perceber uma coisa, seu nome começa com “I” que significa “IH, vou ter de pagar a pensão”.

- Sabe o que me veio  a cabeça?Seu nome é Toby...e você é um Tonto.

- Ok, você manda, mas se você deu o saca-rolhas pra ela, porque diabos esta com você neste momento?

- Bem, quando Michele me expulsou de casa, eu quis me vingar, ela ficou com a casa, o carro, meu dinheiro, meu filho, então 
decidi que eu deveria ficar com algo.

- E você escolheu uma buginganga?

- UMA SIMÓBILICA BUGINGANGA

- Ah claro, isso muda tudo – Disse Toby.

- Agora todos os meses em que vou fechar as contas para pagar a pensão eu olho este saca-rolhas e penso – “COMO SOU PATÉTICO E PERDEDOR”

- Oh Iends, você não precisa do saca-rolhas para lembrar isso.
Iends apenas olhou ´para Toby embabaquecido com tamanho sarcasmo.

- Qual é, se livra dessa coisa, você está se matando por isso.

- O que? você acha que estou me machucando mais que Michele?

- Não eu não acho que ela tenha se machucado, nenhum pouco haha, você precisa seguir em frente amigão.

Um minuto de silêncio na sala, salvo a TV ligada.

- Você está certo, você tem razão – Iends cortou o silêncio – E sabe o que eu vou fazer agora?

- Abrir um vinho 50 anos e farrear a noite toda com strippers?

- Não, não,  vou levar este saca-rolhas para Michele e dizer que eu roubei.

Silêncio

- Bem, ainda fico com minha ideia – Disse Toby.

- Okay, aqui está o plano, vou na casa da Michele que por acaso foi um dia minha casa e limpar meu nome para sempre.

- Você pelo menos considerou a minha ideia? – Exclamou Toby tentando evitar o pré-suicidio de Iends.

-Você dirige – Iends entregando as chaves do carrão de Toby para ele.

- E porque eu devo ir com você?

- Porque eu estou supostamente muito bêbado para dirigir.

Após um cominho tortuoso e com várias tentativas de Toby em fazer Iends desistir da ideia, eles finalmente chegam à porta de Michele.

- Iends, espera aí.

- Você não vai me impedir de devolver o saca-rolhas para Michele.

- Não quero impedi-lo, só quero um bom lugar para assistir esta cena.

- Okay, você pode ficar.

- Vai em frente, toque a campainha.

Iends tocou duas vezes a campainha e aguardou os mais longos dois minutos de sua vida, quando um homem aparentemente de 1,90 mts de altura abriu a porta.

- Oh Iends – disse o homem.

- Olá, senhor Kamal, está tudo bem com Luke? (filho de Iends) – respondeu Iends demonstrando seu lado de nervosismo..

-  Eu creio que sim, ele foi dormir na casa de um colega hoje.

- Oh é verdade, senhor Kamal é professor de judô de Luke, por isso pensei – Explicou Iends para Toby voltando-se para ele, sem perceber que sua ficha não tinha caído...

- Toby interrompeu a explicação de Iends dizendo:

 – Parece que alguém mais está querendo dar o saca-rolhas para sua mulher.

Neste meio tempo Michele aparece cantando e saltitante e abraçando por trás do senhor Kamal, dizendo para ele não se esquecer de comprar pão, quando de repente ela se dá conta de que Iends está na porta e para de cantar rapidamente.

Minuto de silencia embaraçoso

- O que você está fazendo aqui? Disse Michele.

- Acho que vou voltar para o banho e deixar vocês à vontade – disse Kamal.

Já na ausência de kamal, Iends disse:

- Eu vim lhe entregar isso – disse feliz e radiante, mostrando o saca-rolhas à Michele.

- O que é isso – retrucou Michele.

- Eu comprei para você.

- Agora?

- Não, há anos atrás.

Ambos ficaram se encarando, quando de repente:

- É SIMBÓLICO – disse sarcasticamente Toby por cima do ombro de Iends, fazendo “aspas” com os dedos das mãos.

- Iends, você é insano, precisa de ajuda médica urgentemente- disse a ex esposa.

Michele bateu a porta na cara de ambos, mas antes que fechasse completamente Toby gritou:

- APROVEITE OS PÃES e Banho.

- Nossa, isso foi mais engraçado do que esperava, vamos garanhão, eu te pago um drink – completou.

- Okay – disse Iends perplexo – Oh, espera espera espera – completou, e voltou até porta da casa e pegou o capacho que continha no chão e fez uma dancinha, como se quisesse dizer “olha só você pode ficar com meu carro, mas eu tenho o seu capaho com meu nome nele”.

Já no bar, ambos estavam no balcão e Iends não parava de olhar aquele saca-rolhas

 - O professor de Judô. Minha esposa está dormindo com o professor de Judô do nosso filho – e neste momento Iends partiu o saca rolhas em duas partes, mas sem demonstrar raiva, apenas desapontamento.

 - Imagino que ele ganhe um “Blow Job” a cada Hipon do Luke 
– pensou Toby em tom alto e ganhando em seguida um olhar de 
perplexidade de Iends. Em seguida, pegou o canudo e mexeu no whisky, pensando em palavras amigas ao roommate, soltando em seguida:

- Sabe, você é realmente um homem de sorte.

- Oh sério?de verdade?Agora me plique Toby de onde você tirou essa conclusão? – Disse Iends em Tom sarcástico.

- Bom, se um dia o Luke arranjar briga na escola, o guarda costas particular dele estará dormindo no quarto ao lado.

- Bem, isso é verdade, ele bem grande e forte – disse Iends em Tom de aceitação – Sabe, eu implorei para ela fazer comigo na banheira e ela sempre dizia que “frizzava” o cabelo dela.

- É, acho que agora ela achou o amaciador de cabelo perfeito – Disse Toby tomando uma golada do whisky.

- E se ela estiver levando a relação a sério e se ela casar com ele?

- Melhor ainda.

- Melhor?Como melhor? Me explica isso.

- Se ela se casar, você se livra da pensão.

- oh mas você é....é você tem razão.

- Se você fosse esperto você apoiaria esta relação – É a situação ideal para você, não deixe escapar.

- Você tem razão, eu talvez deva voltar lá e sabe, abençoar a relação.

- Não Não Não...ver sua mulher de roupão com outro cara já é o suficiente por uma noite.

- É, tem razão.

Após o silencio ambos continuaram no bar tomando a noite toda. Na manhã seguinte, Toby saiu de seu quarto totalmente de ressaca e cambaleando pelos corredores da casa.

 - Ouch – colocando uma das mãos em suas têmporas – e a cada passo que dava ele dizia  “ouch” em tom alto.

Enquanto isso na cozinha, a mãe de Toby, dona Celeste - estava fazendo uma visita surpresa em sua casa.

- Pode me dar uma xícara de café – Disse dona celeste para Nick que por sua vez lavava a louça de ontem.

- O que lhe impede de levantar ? – Retrucou Nick em tom nervoso.

Dona Celeste com o olhar bufante levantou-se e pegou uma xícara de café na pia, neste momento Toby adentrou a cozinha.
Toby não se dava muito bem com sua mãe, por razões complexas, mas fazia a social e nunca era mal educado com ela.

Dona Celeste, embora viúva, também herdou a quantia milionária do pai de Toby e fazia o tipo “viúva chique” que apesar de viúva não perdeu sua promiscuidade e sempre tinha parceiros, do tipo mais rico que ela, pois se tinha uma coisa que a fazia perder sua cabeça era dinheiro...e por conta disso tinha uma arrogância incomum.

Enquanto Dona Celeste estava na pia servindo-se de café e de costas para a porta, Toby fez sinal com as mãos para que Nick levasse o café em seu quarto, pois não queria que sua mãe o visse acordado e assim tivesse de conversar com a ela.

 - Vá para o inferno, sirva seu próprio café- disse Nick em alto e bom tom, saindo em seguida da cozinha.

Sem chance de escapatória, Dona Celeste voltou –se para os dois e disse:

- Toby, que bom que está acordado.

- Olá, mãe!

 - Onde está o Luke?

- Hoje é dia de ficar com a mãe dele, Iends e Michele trocaram os dias esta semana.

- E porque ninguém me avisa?Sabem que se Luke não estiver aqui eu não tenho motivos pra te visitar.

- Bom saber – abusou do sarcasmo.

- Onde está Iends, o carro dele não está na garagem.

- Mãe, olhe pra mim, eu não sei dizer nem onde estão as minhas calças – disse Toby olhando para sua cintura e mostrando que estava vestindo apenas uma samba canção.

- Bem, então acho que vamos ter um momento em família, só nós dois.

- Adoraria, mas tenho uma partida de counter strike todos os domingos.

- Toby?

- Sim?

- Hoje é sábado.

- (Maldição) - pensou.








Enquanto isso, do outro lado da cidade, Iends estava na frente da casa de Michele e devolveu o capacho no lugar em que estava, de forma sorrateira, tocando a campainha em seguida.
Kamal abriu porta e Iends sem saber como agir disse:

- Oh, você ainda está aqui.

- Sim – respondeu Kamal – Olha Iends, eu realmente sinto muito e...

- Não não, eu é que peço desculpas,  aparecer assim sem avisar na noite passada não foi muito apropriado, e voltei aqui para dizer que isso não vai acontecer novamente.
Kamal parou por alguns segundos e disse:

- Então apareceu hoje sem avisar, para pedir desculpas por aparecer sem avisar?

- Tinha medo que se lembrasse – silêncio – Então, a Michele já acordou?

- Na verdade ela não está, foi ao mercado.

- Oh, ela se levantou cedo num sábado?Que bom, ela dormia muito aos sábados quando estávamos juntos, provavelmente devia ser por conta da depressão e remédios.

- Remédios? – Indagou Kamal.

- Oh não, não é nada grave, só um cor de rosinha por dia pra ficar alegre e melhorar o humor.

- Iends, devo lhe dizer que isso tudo é um pouco constrangedor para mim e para você...

- Por favor, não se sinta constrangido, provavelmente ainda vamos nos encontrar muitas vezes, não há razões nenhuma para ficarmos desconfortáveis.

- Essa é uma atitude madura. Obrigado.

- Bem não há de que.
E ambos ficaram se entreolhando parados na porta.

- Vamos, deixe eu fazer um café para você – disse Iends se convidando para entrar e já na parte de dentro da casa. 







Do outro lado da cidade Toby se via obrigado a assistir televisão sentado no sofá com Dona Celeste.

- Eu não sabia que as mulheres das cavernas se depilavam.

- Isso não é um documentário mãe.

- Sabe, estou ficando velha, e um dia você vai se arrepender por me ignorar.

- xiiiii, estou assistindo o filme.

- Toby, porque você não gosta de mim?

- O que?

- Você sempre faz de tudo para não estar comigo.

- Pelo visto, nem tudo – veja, estamos aqui agora, aproveitando juntos, vendo TV.

- Toby, olha pra mim.

Toby titubeou por alguns segundo mas voltou-se lentamente para o olhar de sua mãe.

- Tenho de ficar te olhando por muito tempo?

- Quero que converse comigo.

Quando de repente, do fundo da sala ouve-se Nick dizendo:

- Okay, vou sair.

Toby levantou-se rapidamente do sofá deixando sua mãe sozinha.

- Oh não, espera Nick, venha sente-se conosco, vamos conversar.

- O que?Já acabou o tempo mamãe e filhinho? – respondeu Nick.

- Toby me odeia – disse Celeste do Sofá.

- Não, não te odeio – por favor Nick, peço que fique, preciso de você.

- Desculpe, preciso ir ver uma gata da faculdade.

- Eu te imploro, disse Toby puxando Nick pelo braço e levando-o até a sala.

- Okay unfff

Nick sentou ao meio do sofá, estando Dona Celeste a sua direita e Toby a sua esquerda. O silêncio pairou por alguns momentos já com a TV desligada – para quebrar o gelo Nick perguntou:

- Então por que odeia sua mãe?









Já na casa de Michele, Iends adentrava a sala de estar com uma bandeja de café e começou a servir kamal.

- Aqui está, quer um conselho? Se quiser comidas gordurosas nesta casa, é melhor escondê-las, Michele odeia altos níveis de glicose e afins.

Kamal apenas observava Iends servir e sem acreditar no que estava acontecendo ali.

- Então me diga, você já foi casado? – indagou Iends.

- A minha mulher faleceu.

- Oh me desculpe.
(Silêncio)

- Ao menos não tem de pagar pensão, isso deve ser ótimo – disse Iends inescrupulosamente tentando quebrar o gelo.

- Sim – disse Kamal olhando de forma repreensiva em direção a Iends.

Ambos olharam para horizontes distintos esperando que o outro puxasse outro assunto.

- Ei, quer ver uma coisa engraçada?- Meu nome começa com “I” de “Ih vou ter de pagar pensão pra Michele”
Silêncio

- Você tem filhos? – Emendou Iends.

- Não.

- Oh, isso é um benção, ainda mais com sua mulher morta  - pensando na besteira que acabara de dizer Iends perguntou se Kamal aceitaria mais cookies, oferecendo o pratinho a ele, cuja a resposta foi negativa de pronto.

Ainda no desespero de tentar arrumar a bagunça que estava fazendo, Iends tentou melhorar a situação.

- Então, você e Michele ainda têm tempo, filhos são maravilhosos e ela é uma mãe maravilhosa.

- Eu sei, mas ainda não estamos nesta fase da relação.

- Oh, claro que não - disse Iends rindo desconsertado – porém, não espere muito tempo RS Michele já não é tão novinha.
Silêncio.

- Sabe como é...fertilidade – emendou ganhando um olhar de ódio em seguida.










A situação não estava muito diferente do outro lado da cidade na casa de Iends, já que a conversa entre Nick e a Dona Celeste parecia fluir melhor do que aquela entre Toby e Celeste.

- ...Então eu estava jantando no dia das mães com a vadia da minha mãe e o estúpido do namorado dela, quando do nada a porta cai e a sala se enche de gás lacrimogêneo, a última coisa que me lembro é de não conseguir respirar deitado no chão. Enquanto os policiais puxavam os corpos dos dois num saco preto , foi então que descobri que o dinheiro que emprestei pra ela foi usado para trazer cocaína da Colômbia. 

-  Eu não acredito – disse Dona Celeste perplexa com a história que Nick acabara de contar.

- Pois é.

- E você vai visitar sua mãe todo dia das mães.

- Claro, que tipo de monstro não visita a mãe no dia das mães?
Silêncio – todos se voltaram para Toby, que com vergonha olhava para um revista velha que estava na mesinha de centro – vendo que seu plano não deu certo Toby disse:

- Esqueci uma vez, podemos superar isso.

- Quando é meu aniversário?- Perguntou dona Celeste para Toby.

- Como é?

- Você me ouviu.

- O que isso tem a ver com a conversa?

- Jesus, você não sabe a data de aniversário da sua mãe? – Perguntou Nick.

- Bem, não sei de cor.

- O my god – disse Nick

- Qual é, ela sempre fica mudando – retrucou Toby.

- Só o ano Toby, não o dia.

- Percebi uma coisa agora – disse Toby – Eu posso ir embora – deixando a revista no centro da mesa.

- Tudo bem, mas antes de ir, me diga uma coisa – disse Celeste.

- O que? – disse Toby bufando.

- Por que você me odeia?

- Mãe, pelo amor de Deus...- como se um anjo aparecesse na vida de Toby – Luke aparecera na porta da cozinha – Oh Luke, graças a Deus, venha entre, junte-se a nossa agradável conversa.

- Tia Celeste, você fica a cada dia mais jovem – disse Luke em tom amistoso.

- Oh, obrigado pelo cartão de aniversário, eu amei.

- Oh fico contente que tenha chegado a tempo.

- Você é um doce, obrigado por ter lembrado.

Luke era um menino de dez anos, um pouco inteligente para sua idade e isso por muitas vezes era o tendão de aquiles de Toby e Iends. Os genes de Luke haviam sido herdados de Michele, pois ele era prodigio demais para ser herdado de Iends.

- Oh, como alguém poderia esquecer da data do seu aniversário Tia Celeste?

Nick, Celeste e Luke olharam diretamente para Toby que neste momento estava na poltrona de trás fingindo ler a mesma revista que deixara minutos antes.
- ok, desisto.








- Bem, ela fica de vez em quando emocionada, achei que era por conta do divorcio – disse Kamal para Iends enquanto comiam biscoitos amanteigados no sofá lado a lado.

- Não, já tínhamos divorciado e ela continuava a arrumar as malas – o que você está passando com a Michele é a falta de chocolate. Para você se dar bem com ela, sempre tenha uma barra de crunch no seu bolso, ela se entrega – disse Iends ao “novo” amigo.

- Sério?

- Sim, quer outra dica? Quando ela começar a chorar sem razão, e ela irá, nunca diga: “não chore” e não toque nela.

- ok

- Nem assobie. Nunca nunca assobie.








- Okay, eu esqueci uma ou duas vezes, nunca retorno suas chamadas, mas isso não significa que eu te odeie – disse Toby.

- Você amamentou ele? – Peguntou Nick à Celeste.

- Claro que sim, não por mim obviamente.

- Isso é intrigante, daí vem o recalque de Toby.

- Claro que não ! – exclamou Toby.

- Bem, já que vocês tocaram no assunto, é por isso que sempre notei que o Toby tem uma tara muito grande por seios, mais do que um moleque de 16 anos – disse Luke.

- Pois é, Toby quando criança sempre andava chupando os dedos de seus coleguinhas na escola – declarou a mãe.

- E agora ele vive com garrafas na boca, meu psicólogo disse que é uma maneira de reprimir os sentimentos – concluiu Nick.

- Bem, eu poderia ter dito isso de graça – Disse Dona Celeste – Agora diga Toby, porque você me odeia.

- Ta bom aqui vai – respirou Toby – Talvez eu te odeie pelo fato de que você faliu meu pai e você só pensa em si mesma, depois ficava andando com homens que não davam a mínima para mim, que não era problema para você, isso quando não me mandava para acampamentos ou casa de meus amigos por semanas, e agora você aparece aqui sempre me culpando pela droga da minha infância.

- Bem – disse Celeste levantando-se em direção a Toby e esboçando um abraço que não chegou a ocorrer – Obviamente você não está preparado para falar sobre o assunto – acariciando o rosto de Toby e deixando a sala em seguida.



- Você não precisa fazer isso – disse Kamal a Iends enquanto ele o massageava no sofá.

- Não se preocupe, eu sei o que estou fazendo – declarou Iends – Então você já conheceu os pais da Michele?

- Não

- Eles vão te adorar, ficaram arrasados com o divorcio e com as escolhas infelizes que ela fez depois.

- Escolhas infelizes?

- Ah é, nada importante, o importante é que ela vai andar com alguém por aí.

Kamal olhou para trás enquanto Iends massageava suas costas de forma desconsertada.

- Está muito tenso aqui – disse Iends apertando os ombros de Kamal.

Neste momento Michele abre abruptamente a porta da sala com a sacola de mercado na mão e dá de cara com aquela cena inesperada ao ver seu ex marido massageando seu atual affair.

- IENDS – exclamou perplexa.

Ao olhar para Michele, Iends acabou por apertar demais os ombros de kamal deslocando-os de lugar sem querer.


Na manhã seguinte, Toby e Iends estavam tomando café na mesa da cozinha. Toby não se conteve em perguntar ao ver Iends com o bloco de notas nas mãos:

- Então, você não pagou a pensão alimentícia?

- Isto é uma conta do professor de Judô.

- Porque?Você não pagou a mensalidade do Judô?

- Não, isso é o pagamento da ida do professor de judô ao ortopedista.

(silêncio)

- Você sabia que o aniversário da minha mãe foi há semanas atrás?

- Ah sim, dona Celeste, mandei um cartão a ela.

- Oh cara, você poderia ter pelo menos colocado meu nome no cartão.

- Eu coloquei seu nome no cartão – “De Iends e Toby” – porque?

- Maldição.

- O que foi?

- Ela me enganou e me fez acreditar que eu havia esquecido.